sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Agora é tarde… Inês já é morta!

Já ouviu falar desse ditado que quer dizer que não adianta mais chorar o leite derramado, ou, em outras palavras, se lamentar por algo?

Então, a origem dela remota da história da bela Inês de Castro. Quem foi Inês de Castro?

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Inês de Castro, essa linda moçoila loira, era filha de Pedro Fernandes de Castro, um simples mordomo do rei Afonso XI de Castela. Em 1339 o príncipe Pedro, herdeiro do trono português, casou-se com a filha de João Manuel de Castela, Constança Manuel. Mas o coração de D. Pedro pertencia a outra, a D. Inês de Castro.

 

ph_afonso4 D. Afonso IV, pai de D. Pedro, não aprovava essa relação. Sentindo-se ameaçado pela relação e pelos irmãos de Inês, foi pressionado a fazer algo contra. Dessa maneira, o rei prendeu e exilou D. Inês no castelo de Albuquerque, que fica na fronteira castelhana. Mas o amor dos dois só fazia crescer.

Constança, esposa de D. Pedro, acabou morrendo no parto do futuro rei Fernando I de Portugal. Livre e viúvo, Pedro decidiu que era hora de mandar buscar sua amada. Os dois foram viver juntos e foi grande o escândalo. Imagina isso?! Seu pai ficou desgostoso e a guerra entre os dois estava declarada.

D. Afonso IV casou Pedro novamente, e desta vez com uma dama de sangue real. Pedro não aceitou. Enquanto isso, Inês tinha filhos ilegítimos do casal.

Morte de Inês de Castro

O casal retornou a Coimbra, e havia uma boataria que haviam se casado secretamente. O rei decidiu que só havia uma maneira de remediar a situação: matando Inês. Coitada.

Em 7 de janeiro de 1355, o rei aproveitou que Pedro tinha saído em excursão, para uma caça e enviou seus homens para matá-la. D. Pedro ficou tão revoltado que se colocou contra o pai definitivamente. Após meses, os dois fizeram as pazes. Tudo ilusão, ele jamais o perdoou.

Quando foi coroado rei de Portugal, Pedro anunciou que Inês seria coroada rainha, já que os dois haviam se casado pouco antes de sua morte. Inês, mesmo morta, foi coroada rainha de Portugal. Pedro I mandou matar dois dos assassinos de Inês de Castro: Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves. Arrancaram-lhes o coração pelo peito, a um, e a outro pelas costas. Assim se justifica o seu cognome.

Ao morrer, D. Pedro foi enterrado em um túmulo em frente ao de sua amada, a bela Inês.

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Excerto do episódio de Inês de Castro d' Os Lusíadas.
"(...)
Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam:
De noite em doces sonhos, que mentiam,
De dia em pensamentos, que voavam.
E quanto enfim cuidava, e quanto via,
Eram tudo memórias de alegria.
De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos enjeita,
Que tudo enfim, tu, puro amor, despreza,
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo, e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria.
(...)"
Luís Vaz de Camões

A história de amor de D. Pedro e Inês em vídeo:

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